Pequenas Histórias (03)
O Dia que encontrei Fábio Koff
O Dia que encontrei Fábio Koff
Julho de 1986, quarta-feira à noite, estádio Beira-Rio, Grenal e lá estava eu, quase uma hora antes, solitário, me posicionando na arquibancada superior atrás da goleira à esquerda das cabines de rádio. Pouca gente. Havia espaço suficiente para fazer um piquenique, aliás, vários piqueniques, tamanho era o deserto azul. Realmente o jogo não prometia muito, mesmo que no lado tricolor, seis campeões mundiais continuassem a envergar a jaqueta Imortal. Entre eles, o maior de todos, Renato Portaluppi. No lado vermelho um time que começava forte na defesa, mas se enfraquecia do meio para frente. A defesa era tão boa que Mauro Galvão não tinha vez na zaga, assim sendo, foi deslocado para a lateral-esquerda.O time começava por Taffarel, Luis Carlos Winck, Pinga, Aloísio e Mauro Galvão, todos com passagem pela Seleção Brasileira. Na preliminar, um bom aperitivo, Grenal de categorias de base. O Grenal principal terminou 2 x 2. Não fora um clássico para ficar na memória, apesar de uma peculiaridade; dois gols contra, China par o Inter, Mauro Galvão para o Grêmio. Completaram o placar, Valdo (G) e Marcelo Vita (I).
Para mim, no entanto, foi marcante. Antes de começar a partida e eu praticamente só nas arquibancadas, notei a chegada de três homens vindo em minha direção, todos aparentando meia-idade, um deles, magro e talvez, o mais velho, um outro meio gordo e calvo, um terceiro à distância me pareceu familiar. À medida que se aproximavam, não tive mais dúvidas, Fábio André Koff, o presidente maior vencedor da história tricolor compunha o trio. Koff fez um aceno com a cabeça e sentou ao meu lado, à minha direita, foi secundado pelos demais.Eu estava louco para lhe dirigir a palavra, mas o que dizer? Estava nervoso. Os três conversavam e eu esperava por uma inspiração e também, por uma pausa, um silêncio entre eles; uma brecha. E ela veio.
- Que desvirginada, presidente! Pois é! Saí com essa frase. O Doutor Koff se espantou, mas logo entendeu e sorriu. Veio-lhe à lembrança a frase cruel dita por importante dirigente colorado quando o Grêmio perdeu para o Flamengo o Brasileirão de 82 com Koff de presidente. Uma injustiça!Mais tarde este dirigente reconheceu e se desculpou publicamente. A frase infeliz era mais ou menos essa: “O Koff parece a Rainha Virgem, governa, mas está invicto, pois não ganha títulos”. Ano seguinte seguiram-se as conquistas da Libertadores e do Mundial. Foi sem dúvida, “a melhor primeira vez” aqui no Sul.
Prudentemente, o senhor calvo e meio gordo trocou de lado com o presidente, deixando-o no meio deles, pois deve ter pensado que alguém que começa um papo com uma frase dessas não podia “bater” bem da cabeça.
Assim, de forma absolutamente acidental, assisti um Grenal ao lado de uma lenda viva do futebol gaúcho.
bruxo niederauer

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